TIPOS DE DOR

Dor no quadril Artrose ou Desgaste


Osteoartrose do Quadril


Clinicamente, a osteoartrose ocasiona dor articular, limitação de movimento, crepitação e derrame articular, podendo causar limitações funcionais com comprometimento importante da qualidade de vida.

A osteoartrose pode ser definida como um grupo de doenças distintas superpostas, podendo ter etiologias diversas, mas com efeitos clínicos, morfológicos e biológicos similares. A cartilagem articular se degenera com fibrilação, fissuras, ulcerações e redução de espessura, mais frequentemente em áreas de maior carga. Ocorre, ainda, esclerose do osso subcondral, cistos subcondrais, osteófitos e graus variáveis de inflamação sinovial.

A osteoartrose do quadril pode ser considerada como o resultado da interação de fatores mecânicos, genéticos e bioquímicos.

O fator mecânico tem papel importante na etiopatogenia da doença, uma vez que o impacto repetitivo, e a distribuição anormal de carga sobre o osso subcondral, geram processos catabólicos na articulação, e aumentam a demanda por reparação tecidual.

Tais circunstâncias levam à ruptura e fragmentação da rede colágena, que causa a expansão anormal dos proteoglicanos e a retenção de maior quantidade de água em suas malhas. A cartilagem torna-se hiperhidratada, alterando suas propriedades biomecânicas de amortização de impacto e, consequentemente, aumentando a transmissão de carga ao osso subcondral, que se hipertrofia e perde sua complacência.

O condrócito, sob influência de moléculas que funcionam como mecanorreceptores e mecanotransdutores, altera seu metabolismo, produzindo substâncias como metaloproteinases, óxido nítrico e outros indutores de catabolismo da matriz extracelular.

Estas alterações, associadas a distúrbios no osso subcondral, como aumento na densidade e modificação do metabolismo dos osteoblastos, ocasionariam aumento do estresse mecânico articular.


EXAMES COMPLEMENTARES E LABORATORIAIS

O exame de eleição é a radiografia de bacia em anteroposterior e perfil do quadril. A tomografia e a ressonância são exames de exclusão para diagnóstico, servindo para o diagnóstico diferencial de tumores e outras patologias, como, por exemplo, a RNM, que pode evidenciar a fase I e II de ficat (presente na osteonecrose do quadril), assim como evidenciar bursites, tendinites, ruptura do labrum, etc.



TRATAMENTO

A primeira opção é o tratamento conservador, através do uso de medicação para alívio dos sintomas, e orientações para o paciente sobre atividade física, peso ideal, ocupação profissional, etc.

O tratamento cirúrgico pode ser dividido em cirurgias que preservam o quadril do paciente, como osteotomia femoral proximal ou a periacetabular, ou ainda cirurgias de reconstrução do quadril, como: artroplastia da cabeça femoral, artroplastia total do quadril convencional, artroplastia total tipo ressurfacing ou artrodese.

TRATAMENTO CONSERVADOR

Torna-se importante a orientação física, evitando-se os exercícios com impacto, e estimulando-se os alongamentos e o fortalecimento da musculatura do quadril. A fisioterapia, geralmente, terá somente uma indicação analgésica, com pouca mobilização.

Quanto ao uso de medicações, deve-se lembrar que estas poderão ser usadas por longo tempo, pois trata-se de uma patologia crônica. O uso dos anti-inflamatórios e analgésicos geralmente traz boa ajuda na sintomatologia, mas deve ser criterioso, devido aos seus riscos cardíacos, renais e outros no longo prazo. As drogas ditas condroprotetoras (glicosamina, condroitina e diacereína) também podem trazer alívio nos sintomas, embora, em casos mais selecionados, tendo a vantagem de poderem serem usadas por tempo mais prolongado.

A artroplastia total de quadril oferece, para a grande maioria dos pacientes, o alívio da dor e a melhora da função articular. Embora deva ser tratado como procedimento de grande porte, com todos os cuidados recomendados, teve grande evolução nas suas técnicas e materiais, o que vem permitindo cada vez maior segurança nos seus resultados.

A cirurgia deve ser considerada quando forem esgotados os tratamentos conservadores possíveis para o caso.

O paciente deve ser orientado sobre sua doença, os riscos da cirurgia e a história natural deste quadril, se não for operado. Cabe ao médico avaliar o quanto a patologia no seu quadril tem lhe dificultado ou impedido de fazer atividades rotineiras do seu dia-a-dia.

CONTRAINDICAÇÃO

As contraindicações absolutas são poucas. A história de infecção no quadril, seja ela prévia ou no momento, deve ser avaliada e merece uma investigação maior por parte do médico, para se tomar a decisão cirúrgica ou não.

OPROCEDIMENTO

Embora, hoje em dia, já seja uma cirurgia realizada com maior frequência, o Ortopedista que fará o procedimento deverá ter um treinamento específico e continuado. Considera-se muito importante: uma criteriosa seleção do paciente, a cuidadosa escolha da época a ser realizada a cirurgia, o conhecimento das possíveis dificuldades transoperatória (e como resolvê-las), a escolha de um material adequado para a cirurgia, a boa orientação quanto aos cuidados do paciente após a cirurgia.


A escolha da prótese que será utilizada deve respeitar a indicação do Ortopedista, que levará em consideração as características do paciente, do osso hospedeiro, sua experiência profissional e seus conhecimentos sobre os diversos materiais disponíveis.



COMPLICAÇÕES DA CIRURGIA

Infarto Agudo do Miocárdio e Insuficiência cardíaca congestiva: baixa incidência.

Trombo Embolismo Pulmonar: permanece como uma das piores complicações, onde a mobilização precoce é o fator preventivo mais importante.

Lesão Vascular e Nervosas Periférica: também apresentam baixa incidência.

A Luxação da Prótese: depende de vários fatores, como uma boa técnica de colocação dos componentes pelo cirurgião, mas também do cuidado do paciente no pós-operatório.

A Infecção: no pós-operatório imediato é rara, mas pode ocorrer, principalmente, em pacientes com fatores de risco estabelecidos (principalmente nos imunodeprimidos).

Falência dos Materiais: trata-se do desgaste e solturas dos componentes da prótese, embora não haja uma regra, mas pode ser postergada com a escolha de um bom material.

E outras como discrepância de membros, etc.


Radiografia de quadril mostrando calcificação heterotópica


CUIDADOS IMPORTANTES NO PÓS-OPERATÓRIO


Não cruzar as pernas;

O posicionamento adequado no leito para os membros inferiores é com as pernas abduzidas (manter uso do coxim abdutor). Deve-se evitar, então, tanto o cruzamento dos joelhos, assim como a flexão próxima dos 90 graus do quadril e rotações(torções) da perna operada, para dentro ou para fora;

Só virar ou dormir para o lado da operação;

Andar com andador ou 02 muletas;

Para sentar em cadeiras e vasos sanitários, além de preferir que estes sejam mais elevados, o paciente deverá manter a perna operada em extensão (ficando mais à frente) e levemente aberta, evitando-se, assim, uma angulação exagerada do quadril.Usar comadre ou cadeira higiênica;

Não molhar a ferida;

Para troca de curativo, utilizar gaze esterilizada, soro fisiológico, 02 luvas de procedimento novas, iodo tópico e micropore largo;

Usar meia elástica de média compressão Kendall ou Sigwaris, em caso de inchaço em pernas;

Retornar, conforme orientação médica, ou imediatamente, em caso de anormalidades;

Prevenir a trombose venosa profunda (TVP) e complicações respiratórias, evitando ficar muito tempo imóvel no leito e na posição deitada, dando preferência a ficar assentado no dia seguinte ao da cirurgia. Movimentar ativamente e passivamente o membro:


  • Membro operado: flexão do pé.
  • Realizar contração com a musculatura da coxa e perna sem movimentá-la.

Estes exercícios devem ser repetidos ao longo do dia, várias vezes. O outro membro deve ser mobilizado assim que passar a anestesia. Movimentá-lo em todas as articulações.

Quando em repouso, manter o membro inferior operado elevado, de modo que o pé fique mais alto do que o coração, para minimizar o inchaço e facilitar a circulação.

É necessário o uso de andador para sair do leito, quando o ortopedista liberar, e o pé do lado acometido pela cirurgia é apoiado no chão.