TIPOS DE DOR

Artrose de joelho


Artrose significa alteração degenerativa da articulação. Artrite é um processo inflamatório, e representa um desarranjo da membrana sinovial. A artrose pode acometer um ou mais dos três compartimentos que compõem a articulação do joelho.

A osteoartrose pode ser definida como um grupo de doenças distintas superpostas, podendo ter etiologias diversas, mas com efeitos clínicos, morfológicos e biológicos similares. A cartilagem articular se degenera com fibrilação, fissuras, ulcerações e redução de espessura, mais frequentemente em áreas de maior carga. Ocorre, ainda, esclerose do osso subcondral, cistos subcondrais, osteófitos e graus variáveis de inflamação sinovial.

Clinicamente, a osteoartrose ocasiona dor articular, limitação de movimento, crepitação e derrame articular, podendo causar limitações funcionais com comprometimento importante da qualidade de vida.

EPIDEMIOLOGIA

A artrose é uma patologia extremamente prevalente na população, sendo ainda mais em alguns países onde as taxas de obesidade e sobrepeso vêm crescendo, como no caso dos Estados Unidos. As alterações de alinhamento dos joelhos, traumas prévios e cirurgias pregressas também favorecem a ocorrência de artrose.

Estima-se que mais de 80% da população, com idade superior a 55 anos, apresenta alguma forma de artrose.

CAUSAS

Os fatores causais podem ser resumidos em doenças articulares reumáticas, instabilidade ligamentar, lesões meniscais, sequelas de fraturas, desvios de eixo, sobrecargas de atividades de impacto e obesidade.

Pesquisas atuais mostram que a evolução do processo degenerativo articular nem sempre esta relacionada à idade. É evidente que o evento degenerativo é complexo, e durante a vida podem ocorrer fatores que aceleram a evolução da artrose.

SINTOMAS

Embora a dor possa ter início súbito, geralmente desenvolve-se de maneira lenta e gradual. A principal queixa é a dor.

A articulação torna-se mais rígida e edemaciada. Crepitação, atrofia muscular, instabilidade, claudicação e até deformidades articulares podem ser encontrados. A função da articulação fica prejudicada.

EXAMES DE IMAGEM

O Raio-x é o primeiro exame a ser realizado, pois, além do diagnóstico, pode mostrar diferentes comprometimentos evolutivos. Poderá demonstrar sinais bem iniciais, como pequenos osteófitos, e graus variados de pinçamento articular(fechamento da articulação). Nos graus mais avançados, além do pinçamento, poderá haver uma subluxação articular.


TRATAMENTO CONSERVADOR

As medidas conservadoras são a primeira opção na grande maioria dos casos, havendo uma gama de possibilidades que devem ser utilizadas em conjunto, com a orientação do seu médico.

Pode incluir a perda de peso, redução dos períodos em pé, o uso de calçado apropriado e o direcionamento para alguma atividade física. As medidas fisioterápicas, como as várias formas de calor e a hidroterapia, contribuem para reduzir a rigidez matinal.

Alguns estabilizadores (imobilizadores não restritos) podem trazer certa estabilidade, e então conforto ao paciente; calçados apropriados (leves e macios) podem reduzir o impacto articular.

O uso de bengala pode melhorar o apoio, assim como prevenir quedas com consequências às vezes desastrosas em pacientes com afecções severas, ou de idade elevada.

Vários tipos de drogas podem ser usadas, sabendo que cada paciente poderá responder de forma diferente ao uso das diferentes medicações. Seu Ortopedista irá desenvolver um programa para a sua condição específica.

Os analgésicos e anti-inflamatórios geralmente são a primeira linha, mas devem ser criteriosamente usados, devido aos seus efeitos colaterais no longo prazo (cardíaco, renais, sanguíneos…). Hoje dispomos de anti-inflamatórios mais seletivos e seguros, mas, como há a possibilidade de serem usados no longo prazo, devem ser acompanhado pelo seu médico.

A utilização dos condroprotetores (Glicosamina, Condroitina e Diacereína) também já faz parte da rotina. Embora não possam trazer regressão na doença estabelecida, podem aliviar a dor e o inchaço, assim como melhorar a mobilidade articular. Estes medicamentos tentam agir na estrutura articular(cartilagínea), tornando-a “mais resistente” por um período maior.

Os corticoides podem ser utilizados para combater infiltração intra-articular, mas possuem indicação ainda mais restrita, pois, embora em casos selecionados possam ter boa ajuda, a sua repetição poderá levar a um maior dano cartilagíneo articular.

TRATAMENTO CIRÚRGICO

O tratamento cirúrgico da osteoartrose envolve vários procedimentos, como osteotomia corretiva, artroscopia e artroplastia total de joelho. A indicação de cada procedimento depende da deformidade articular existente, da falha do tratamento clínico e da necessidade do paciente.

As osteotomias são indicadas no tratamento da osteoartrose unicompartimental fêmoro-tibial dos joelhos varos ou valgos. Diversas técnicas cirúrgicas utilizadas para correções dos desvios angulares podem ser citadas, como a osteotomia de valgização, ou a de varização. O objetivo é melhorar o alinhamento do eixo mecânico, e assim evitar a sobrecarga no compartimento degenerado.

As artroplastias totais, por exemplo, estão indicadas nos graus avançados de artrose, e na falência dos métodos clínicos ou cirúrgicos previamente realizados, ou seja, quando há um comprometimento funcional e articular importante associado à dor, reduzindo a qualidade de vida.


Radiografia mostrando uma prótese total de joelho


Apresenta resultado satisfatório pelo alívio da dor, correção da deformidade, melhora da estabilidade e mobilidade articular. O grande problema da cirurgia é que a duração da prótese é limitada, muitas vezes com mais de 90 % de sobrevida, em mais de 20 anos de cirurgia.

As contraindicações para cirurgia são: artrodese estável, genurecurvatum, insuficiência do quadríceps e infecção ativa.

Algumas das complicações do tratamento cirúrgico envolvem infecções, tromboembolismo, deiscência de sutura, lesões vásculo-nervosas, fraturas intraoperatórias, lesões do aparelho extensor, soltura asséptica, instabilidade e dor residual inexplicada, dentre outros.

REABILITAÇÃO PÓS OPERATÓRIA:

NÃO colocar nada embaixo do joelho (travesseiro, almofada); inicialmente causa conforto ao joelho, mas posteriormente, irá interferir na marcha e aumentar a dor.
Prevenir a trombose venosa profunda (TVP) e complicações respiratórias, evitando ficar muito tempo imóvel no leito e na posição deitada. Preferir ficar assentado no dia seguinte ao da cirurgia, além de movimentar ativamente e passivamente o membro.


  • Membro operado: flexão com o pé, elevação de coxa, dobrar o joelho até o limite da dor.
  • Realizar contração com a musculatura da coxa e perna, sem movimentá-la.

Estes exercícios devem ser repetidos ao longo do dia, várias vezes.
O outro membro deve ser mobilizado assim que passar a anestesia, devendo movimentá-lo em todas as articulações.

Quando em repouso, manter o membro inferior operado elevado, de modo que o pé fique mais alto do que o coração, para minimizar o inchaço e facilitar a circulação.

É necessário o uso de andador para sair do leito quando o ortopedista liberar, porém, o pé do lado acometido pela cirurgia é apoiado no chão, com a descarga já previamente determinada pelo seu médico, e que geralmente deve ser quase total.

É importante tocar o chão primeiro com o calcanhar, depois a borda lateral do pé, e a seguir os dedos. Deste modo, incentiva-se uma marcha adequada para evitar a claudicação.