TIPOS DE DOR

Dor no quadril Impacto fêmoro-acetabular


É causa de dores intra-articulares mais profundas, não palpáveis e com localização imprecisa.


Pode aparecer como dor na região da virilha ou irradiada para a face antero-medial da coxa, embora, às vezes, possa surgir indo da virilha para a zona glútea profunda.
Inicialmente, a dor aparece somente após atividades esportivas. O paciente pode sentir dificuldade em alguns movimentos com flexão ou abdução da coxa, ou para cruzar as pernas. Com a evolução, sentirá dor nas atividades diárias, podendo alterar a sua marcha.


Acomete, geralmente, indivíduos jovens com atividade física intensa ou com sintomas que pioram após caminhadas, ou quando permanecem sentados por tempo prolongado.
Atividades que envolvem movimentos repetitivos podem aumentar a frequencia deste contato anormal, levando à lesão labral e da cartilagem articular no acetábulo. Lesões do lábio e /ou da cartilagem articular comumente causam dor.


Essa condição é denominada Impacto fêmoro-acetabular, e o seu mecanismo de atuação se divide em dois tipos: o Pincer, que seria o impacto do rebordo acetabular anormal sobre a junção cabeça-colo, e o Came, representado pela incongruência de uma porção não esférica da cabeça femoral na cavidade acetabular.


Recentemente, uma teoria correlaciona a maioria dos casos de osteoartrose do quadril com alterações no desenvolvimento da articulação coxofemoral, ou seja, a maioria dos indivíduos portadores de artrose provavelmente tiveram uma patologia prévia não reconhecida (provavelmente assintomática) em algum momento da infância ou adolescência, que gerou um dano articular.


Em sua evolução causam alterações degenerativas na articulação, mesmo em pacientes jovens, devidas ao acometimento da cartilagem articular e do labrum fibrocartilaginoso.
A deformidade femoral no impacto tipo came pode ser secundária a algumas patologias da região proximal do fêmur, como a epifisiolistese, Legg-calvé-Perthes, a osteonecrose, sequela de fraturas e coxa vara.


Tal sintoma pode confundir o diagnóstico com as pubalgias e lesões da musculatura adutora.


Sabe-se que a associação entre bursites trocanterianas, lesões dos músculos adutores, lombociatalgias, doenças miofasciais e Impacto Fêmoro-Acetabular é muito comum.
O Rx é imprescindível na avaliação inicial, nos casos suspeitos de FAI.


A Ressonância Magnética (ou a Artroressonância) poderá ser solicitada em casos onde o Rx foi normal, ou para suspeita de lesões de labrum e/ou da cartilagem.


Imagem de ressonância magnética mostrando lesão tipo cam bilateral


Imagem de ressonância magnética mostrando lesão labral extensa


 


TRATAMENTO


Não operatório


Este deverá ser o primeiro passo na maioria dos pacientes. Ele será orientado a evitar sobrecarga de peso ou exercício, evitando, também, esportes de impacto, ou que lhe exijam muita flexão ou abertura no quadril.


 


Cirúrgico


Alguns pacientes permanecerão sintomáticos e necessitarão ir à cirurgia, seja para melhorar a amplitude de movimento (retirando as estruturas que estejam causando o impacto entre o acetábulo e a parte proximal do fêmur), ou para corrigir lesões do labrum ou de cartilagem que possam ter surgido na evolução do caso.


Nos últimos anos, a videoartroscopia tem melhorado alguns sintomas desta patologia, podendo trazer bons resultados com menor agressividade e uma reabilitação mais rápida.


Deve-se lembrar que a videoartroscopia de quadril é um procedimento altamente especializado, e que exige uma longa curva de aprendizado.


Imagem de videoartroscopia de quadril mostrando ressecção da lesão tipo cam