TIPOS DE DOR

Dor na perna de atletas


A corrida é o esporte de escolha de milhares de pessoas pelo mundo. A prática da corrida como atividade física tem demonstrado notórios benefícios cardiovasculares, no aumento da longevidade e na melhora da qualidade de vida.


A corrida regular praticada a longo prazo desencadeia uma série de adaptações músculo-esqueléticas, podendo gerar benefícios nos tecidos musculares, tendinosos, ósseos, ligamentares e cartilaginosos. Tais benefícios são representados pelo fortalecimento dos tecidos, incrementos de força, coordenação, propriocepção, resistência, equilíbrio e flexibilidade, dentre outros.


No entanto, a estatística de lesões em corridas passou a abranger um número cada vez maior de pessoas. Dentre os fatores considerados de maior risco para o desenvolvimento de lesões em corredores recreacionais, estão: lesões pregressas, pequena experiência, treinamento para competição e distância semanal excessiva de treinamento.


Dentre as localizações anatômicas mais prevalentes, os membros inferiores representam a maioria das lesões. Nos membros inferiores, o joelho representa um dos locais anatômicos de maior incidência, seguido pela perna, pé e coxa.


A corrida, como qualquer modalidade esportiva, deve ser aprendida e aperfeiçoada para um melhor rendimento esportivo, minimizando, assim, alguns fatores de risco para o desenvolvimento de lesões. Existe também variáveis intrínsecas, tais como fatores anatômicos e biomecânicos, que norteiam a existência de lesões na corrida.


 


Síndrome do estresse tibial medial


A síndrome do estresse tibial medial, tambem conhecida como shin splint e canelite, foi primariamente descrita como um complexo de sintomas encontrados em atletas, que apresentam dor induzida pelo exercício, localizada no bordo póstero-medial da tíbia.
A causa é representada pela inflamação do periósteo (periostite por tração) na face medial da tíbia, gerada pela ação do músculo sóleo, músculo flexor longo dos dedos e fascia profunda, gerando reação de estresse ósseo que se manifesta com dor.


Os fatores predisponentes são: pronação excessiva, estiramento do músculo sóleo, atividades de impacto repetitivo, aumento súbito na frequência/intensidade/duração da corrida, treinamento em superfícies rígidas, desequilíbrios musculares, deficiências de flexibilidade, índice de massa corporal elevado, lesões pregressas e anormalidades biomecânicas.


A dor apresenta-se difusamente, mal localizada, podendo manifestar-se durante as atividades de corrida ou salto. No exame físico, palpa-se um longo segmento doloroso abrangendo a região posteromedial da tíbia, principalmente nos terços médio-distal.


A ressonância magnética é o melhor método para o diagnóstico específico de cada estágio, fornecendo dados mais confiáveis a respeito da duração e da extensão da lesão.


 


Síndrome da banda íliotibial


A síndrome da banda íliotibial é a causa mais comum de dor lateral no joelho em corredores, principalmente os de longa distância.


Introdução


A síndrome do trato íliotibial é a causa mais comum de dor lateral no joelho, em corredores. É causada, geralmente, por atrito repetitivo da banda íliotibial sobre o epicôndilo lateral do fêmur, gerando uma inflamação crônica.


A etiologia da síndrome do trato íliotibial é multifatorial, e está relacionada com aumento repentino do volume de treino semanal, treinos em declives, treinos em superfícies irregulares, alteração na biomecânica da corrida e pisada do tipo hiperpronada, a qual gera uma rotação interna da tíbia e, consequentemente, maior tensão na banda íliotibial. Está também relacionada com joelhos varos, discrepância de membros inferiores e grande trocanter femoral proeminente.


O quadro clínico caracteriza-se por dor ou queimação na região lateral do joelho, podendo haver irradiação proximal ou distalmente. Inicialmente, os sintomas aparecem após um determinado tempo ou distância de corrida, e logo após o término do treino. Com o agravamento dos sintomas, o paciente já relata dor durante as caminhadas, ao permanecer muito tempo na posição sentada, e ao subir e descer escadas.


O tratamento na fase aguda tem como objetivo reduzir a inflamação focal no local da fricção do trato iliotibial com o epicôndilo lateral, e promover o alívio da dor. A fisioterapia é utilizada juntamente com medicação anti-inflamatória e a crioterapia.


Com a melhora do quadro, são acrescentados exercícios de alongamento, principalmente da banda iliotibial e dos músculos que estejam encurtados, e fortalecimento dos abdutores do quadril.


 


Fraturas por estresse da tíbia


Resultam do carregamento cíclico e repetitivo sob a estrutura óssea, e diferem das outras fraturas por não decorrerem de eventos traumático-agudos. A remodelação óssea pode sofrer um desbalanço da osteogênese/osteoclasia, e ter seu ciclo de adaptações comprometido em resposta a cargas aplicadas, gerando solução de continuidade no tecido ósseo.


Fatores associados são: assimetria de membros inferiores, a anteversão femoral aumentada, a diminuição da largura da tíbia, o valgismo excessivo dos joelhos, etc. Nos corredores, a localização predominante das fraturas de estresse ocorrre na transição do terço méidio-distal.


Os métodos de imagem empregados no diagnóstico são a radiografia simples, a cintilografia óssea em três fases e a ressonância magnética.


 


Lesões musculares nos membros inferiores


É considerada uma lesão indireta, caracterizada pelo alongamento das fibras além dos limites fisiológicos. Ocorre, predominantemente, durante as contrações musculares excêntricas, caracterizadas pelo alongamento gradativo das fibras musculares, em decorrência do torque muscular ser de magnitude inferior à resistência imposta.


Os músculos mais frequentemente acometicos na corrida são: os isquiotibiais, os gastrocnêmios e o sóleo. Os estiramentos isquiotibiais representam 50% das lesões musculares em atletas corredores de velocidade.


Imagem de microscópio eletrônico mostrando fibras musculares


Na perna, as lesões mais comuns comprometem o músculo gastrocnêmio medial, seguido pelo gastrocnêmio lateral e sóleo.


A história clínica do estiramento muscular é marcada por dor súbita localizada, de intensidade variável, algumas vezes acompanhada de estalido. O exame físico revela edema localizado, tensão aumentada do tecido ao redor, e possibilidade de um defeito visível ou palpável. A presença de equimose ou hematoma tem o significado de uma lesão de maior extensão e gravidade.


O diagnóstico de lesões musculares deve abranger história e exame clínicos adequados, podendo ser complementados por métodos de imagem. Os exames de ultrassonografia e ressonância magnética são muito úteis na avaliação e classificação das lesões.


 


Bursite da pata de ganso


Na região anteromedial da tíbia proximal, localiza-se a inserção de tendões flexores da coxa, denominada pata de ganso. Neste local, pode ocorrer inflamação de uma Bursa, gerando desconforto e dor. Esta inflamação está associada ao uso frequente da musculatura, ou até mesmo encurtamento da mesma.